sábado, 30 de janeiro de 2016

José no Egito e não José do Egito - Gênesis 37

JOSÉ NO EGITO  E NÃO JOSÉ DO EGITO – GÊNESIS 37

Vemos neste texto o início da narração bíblica da história de José, que era o filho mais moço de Jacó, sim o mesmo Jacó que teve seu nome mudado por Deus para ISRAEL conforme lemos no capítulo 32:28.
Trata-se de uma história linda, comovente, porém dolorosa.
Vamos acompanhar o agir de Deus na vida de José e seus desdobramentos.
Os primeiros versículos nos dão mais detalhes sobre José:
·Era jovem, estava com 17 anos;
·Trabalhava como pastor de ovelhas;
·Não vivia isolado, pois tinha amigos que eram os filhos de seu pai com Bila e Zilpa;
·Era amado por seu pai Jacó, o qual tinha por ele um carinho todo especial que o amava mais do que a todos os outros filhos, a ponto de tecer para ele uma TÚNICA, capa de várias cores mostrando assim a todos que ele era diferente, tinha tratamento diferenciado, afinal, era o mais amado pelo pai.
·Era leal ao seu pai. (Verso 03 diz que ele trazia relatório do que acontecia com seus irmãos no campo).
Vemos então que José além de todos os atributos a ele conferidos, ainda era “Escolhido por Deus”, ou seja, Deus tinha um projeto muito particular e grandioso na vida de José.
Mas José guiado ainda pelo ímpeto da juventude não conseguia ainda entender a dimensão do projeto de Deus para sua vida, o texto diz que Deus começava a lhe apresentar em sonhos o que lhe tinha reservado.
José, porém, como tinha a super proteção de Jacó, seu pai, se achava muito à vontade para reunir toda sua família e contar-lhes o que em secreto Deus havia lhe mostrado.
Quantas vezes também agimos assim, antecipamos o agir de Deus em nosso favor e de imediato confidenciamos a um e depois a outro e muitas vezes as pessoas que nos ouvem não sonham os mesmos sonhos, são apenas ouvintes, “dão de ombros” aos nossos sonhos ou até muitas vezes ouvem nossos sonhos, nossos projetos e adaptam aos seus projetos e apresentam primeiro e levam o ônus em nosso lugar. 
E depois ficamos culpando essas pessoas por sua deslealdade, mas somos nós os grandes culpados para que tais coisas aconteçam.
Precisamos entender e aprender à hora certa e as pessoas certas para compartilharmos nossos sonhos.
José convocava a todos para ouvirem seus sonhos e cada vez que isto acontecia despertava em seus irmãos um sentimento de ódio, “Por isso ainda mais o odiavam por seus sonhos e suas palavras”, verso 08.
Certo dia, Jacó havia enviado seus filhos para pastorear e pediu a José que fosse ao campo e trouxesse notícias de seus irmãos. José de imediato obedeceu e foi à procura de seus irmãos.
Notem no texto como José demorou em localizá-los, seus irmãos estavam em Siquém e de lá seguiram para Dotã, caminho contrário ao que Jacó havia instruído a José. 
Percebeu como gente chata consegue achar a gente? 
O texto sagrado diz que José trazia a seu pai “má fama” de seus irmãos.... 
Poderíamos até dizer que José era, segundo o nosso linguajar, "um fofoqueiro", mas melhor não.... Tudo o que via seus irmãos fazendo, de imediato corria para seu pai e lhe contava. 
Mas espere aí, José como já dissemos era amado por seu pai, Deus tinha um Projeto gigantesco em sua vida e mesmo assim “trazia má fama” de seus irmãos a seu pai?? 
Sim irmãos, crente abençoado, com promessa em sua vida, tem a tendência de falar demais, não ter o discernimento de falar somente o que convém, precisamos nos atentar para o que Tiago nos adverte no capítulo 3 de sua carta: “Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia”.
O verso 18 diz que seus irmãos o viram de longe, também com aquela túnica de várias cores, era impossível que ninguém o notasse, e digo mais, se eu fosse José, com toda a proteção que tinha do pai, com certeza ainda colocaria umas luzes neon piscando “José, José, José”.
Seus irmãos o vendo, conspiraram em matar-lhe. Isto mesmo, seus irmãos queriam matá-lo devido seus sonhos, ou seja, os projetos de José lhes incomodavam.
José tinha um projeto de crescimento, José não queria ser apenas um pastor de ovelhas, o lugar onde José vivia para ele estava se tornando pequeno.
Quantas vezes também somos julgados por nossos sonhos, apresentamos projetos e sonhos em nosso trabalho, ou até mesmo em nossas igrejas, mas sempre aparece alguém querendo nos matar, sufocar. 
Não digo morte no sentido literal da palavra não, digo morte de atitudes, ações.... 
Marcamos um evento na igreja, todos dizem que virão, chega no horário do evento ninguém vem !! Isso também é matar um irmão, uns até fazem como Ruben, irmão de José, “não o matemos” vamos somente jogá-lo no buraco, vamos silenciá-lo, para que do buraco onde o colocarmos seus projetos acabem definhando. 
Pessoas para nos jogar no buraco é muito fácil encontrar, precisamos sim de pessoas fortes ao nosso lado que encampem nossos projetos e nos ajudem a crescer.
José pois chegando a eles, lhe tiraram sua túnica, que significava cobertura, proteção e o jogaram na cova. 
Seus irmãos se sentaram a comer pão como se nada tivesse acontecido, até que avistaram uns amalequitas vindo e Judá um de seus irmãos teve a “brilhante” idéia de vender José, ou seja, José já está no buraco, que proveito faremos dele ? Vamos então levar vantagem, já está no buraco mesmo !!
Fico tentando imaginar o sentimento de José diante desta situação, momentos atrás era o protegido de Jacó seu pai, tinha uma cobertura de várias cores e agora se encontra num buraco frio, escuro e pronto para ser vendido como uma mercadoria qualquer e tudo isso acontecendo com o consentimento de seus irmãos.
Mas José precisava ser moldado por Deus, Deus precisava ensiná-lo como age um servo seu, um servo escolhido por Ele.
Sua capa/túnica de várias cores que era marcada pelo orgulho, auto suficiência e um pouco de arrogância agora é manchada por sangue de um cordeiro para apresentá-la manchada a Jacó para que ele acreditasse que José havia sido morto por uma besta fera no campo.
Muitas vezes em nossas limitações temos nossas túnicas manchadas, temos nossa cobertura desprotegida, porém afirmo com toda a certeza que não necessitamos que ela seja manchada por sangue de nenhum animal e sim pelo Sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, o Cristo apresentado a nós.
José seguiu viagem com os amalequitas e foi negociado, logo que chegou ao Egito, sofreu vários açoites, perseguições mas em momento algum negou sua fé no Senhor Deus.
Deus concedeu a ele sabedoria e paciência para aguardar que as bênçãos de Deus recaíssem sobre ele, porém Deus cumpriu suas promessas mediante a pureza de seu coração e sua lealdade e fidelidade para com Ele.
Quantas vezes estamos passando por um vale tremendo e começamos a questionar o funcionamento do “relógio de Deus”? 
Queremos nos antecipar ao agir do Senhor e invariavelmente fracassamos.
A Bíblia nos conta a história de Calebe que aguardou 45 anos sua benção chegar e quando estava prestes a receber exclamou em Josué 14:10:E agora eis que o Senhor me conservou em vida, como disse; quarenta e cinco anos são passados, desde que o Senhor falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e agora eis que hoje tenho já oitenta e cinco anos; E ainda hoje estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força então, tal é agora a minha força, tanto para a guerra como para sair e entrar.
Muitas vezes deixamos de receber as bênçãos de Deus porque ficamos murmurando, questionando certos acontecimentos que têm a permissão de Deus.
Fico imaginando como poderemos receber de Deus suas bençãos, se mesmo com tanto sofrimento e tribulações, ainda não crescemos, não amadurecemos, enfim, não estamos prontos para receber e ter condições para administrá-las?.
Sei que esta não é a ótica de Deus mas nos traz a memória momentos em que precisamos de maior entendimento do Senhor e de sua palavra.
Mas saiba que José alcançou as promessas de Deus, porém soube dizer não a várias situações, a mulher de Potifar, por exemplo, quis se deitar com José que de imediato se mostrou fiel a Deus e leal ao seu senhor. 
É preciso, irmãos saber dizer não para chegar ao final e receber nosso galardão, nossa recompensa que nos está reservada em Cisto Jesus.
José soube exatamente administrar a grande diferença entre estar no Egito e ser do Egito, ou seja, estar no mundo, sendo bombardeado por todas as investidas de Satanás, porém se manter puro, se manter separado dando glórias a Deus e recebendo Dele a vitória, a concretização dos projetos e bençãos da parte de Deus.
Que o Senhor Deus possa completar esta palavra em nossos corações.

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